Resultado do Santander (SANB11) no 4T25: lucro recorde, crescimento do crédito e o que os números realmente dizem
Santander (SANB11) registra lucro de R$ 4,1 bilhões no 4T25, com ROAE de 17,6% e expansão da carteira de crédito. Veja a análise completa dos números, margens, PDD e o que o balanço revela sobre o banco.
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Brayan Souza
2/4/20264 min read


Santander (SANB11) no 4T25: resultado sólido e com nuances importantes
O banco reportou um lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões no 4T25, representando crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024 e 1,9% acima do 3T25. Esse foi o maior lucro trimestral registrado nos últimos 4 anos — um marco importante de consistência operacional, especialmente em um ambiente de juros altos e desafios macroeconômicos.
💡 Comentário técnico: Quando um banco apresenta lucro líquido crescente mesmo em cenários menos favoráveis, isso pode sinalizar boa execução estratégica e resiliência operacional. Para o investidor iniciante, vale observar tanto a variação ano a ano (comparação com 4T24) quanto a sequência de trimestres (3T25 para 4T25), pois isso mostra tendências.
💼 Lucro gerencial vs. lucro contábil
Lucro líquido gerencial: R$ 4,086 bilhões
Lucro líquido contábil: R$ 4,023 bilhões (crescimento de 7,4% frente ao 4T24).
👉 Dica para iniciantes:
O lucro gerencial é o número que o banco apresenta aos analistas e ao mercado como sua medida principal de desempenho operacional. Já o lucro contábil segue normas contábeis oficiais e pode incluir ajustes que não refletem diretamente a operação corrente. Comparar os dois ajuda a entender se o resultado “oficial” está alinhado com a operação real do banco.
📈 Receita Total e Margem Financeira
Receita total no 4T25: R$ 21,086 bilhões
→ queda de 1,9% frente ao 4T24
→ alta de 1,6% frente ao 3T25
A margem financeira bruta — receita principal dos bancos obtida com operações de crédito e investimentos — foi de R$ 15,332 bilhões, recuando 4% na base anual e avançando levemente 0,8% na base trimestral.
💡 Comentário técnico:
A menor margem financeira em comparação com o ano anterior é comum em ambientes de juros em queda ou volatilidade de mercado; no caso do Brasil, a taxa básica de juros (Selic) estava em níveis historicamente altos, o que pode afetar tanto o custo de captação quanto a rentabilidade das aplicações. A leve melhora no trimestre indica que o banco conseguiu traduzir parte dessa dinâmica em resultados no curto prazo.
📊 Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROAE)
ROAE anualizado: 17,6%
→ praticamente estável frente ao 3T25
→ leve retração vs. 4T24 (-0,1 p.p.)
🔍 Entendendo ROAE:
O ROAE é um dos principais indicadores de rentabilidade de um banco, mostrando quanto lucro o banco gera para cada real de capital dos acionistas. Um ROAE acima de 15% costuma ser considerado bom para bancos brasileiros, embora o setor deva ser comparado com seus pares (como Itaú ou Bradesco).
💳 Carteira de Crédito — crescimento com disciplina
A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 708 bilhões no final de dezembro de 2025, com alta de 3,7% na base anual.
Os principais destaques foram:
✔ Cartão de crédito: +13,4%
✔ Financiamento ao consumo: +13,0%
✔ Imobiliário: +9,6%
✔ PME (pequenas e médias empresas): +13,0%
💡 Comentário técnico:
Crescimento da carteira de crédito é fundamental para bancos, pois isso significa mais receitas futuras de juros. O destaque para cartões e crédito ao consumo mostra expansão em linhas com maior giro e rentabilidade, o que pode melhorar o resultado em períodos seguintes.
💰 Captações e Custo de Depósitos
O banco encerrou o trimestre com R$ 670 bilhões em captações de clientes, avanço de 3,9%.
👉 Observação estratégica:
A participação da pessoa física (PF) no total das captações cresceu de 43% em 2023 para 50% em 2025 — algo relevante porque depósitos de PF geralmente têm custo menor que captações institucionais, ajudando a reduzir o custo de funding do banco.
📉 Provisões com Devedores Duvidosos (PDD)
PDD no 4T25: R$ 6,105 bilhões
→ aumento de 2,9% vs. 4T24
→ queda de 6,4% vs. 3T25
💡 Comentário técnico:
As provisões representam o montante que o banco reserva para possíveis calotes. PDD em queda sequencial tende a ser positivo, pois indica melhora na qualidade dos créditos ou redução de novos atrasos. No entanto, a alta anual sinaliza que o ambiente de crédito ainda requer cautela.
O que tudo isso significa para quem acompanha o mercado financeiro
1️⃣ Resultados melhores que consenso
O lucro ficou ligeiramente acima das expectativas dos analistas, mostrando que o banco superou previsões do mercado — um ponto positivo para confiança dos investidores.
2️⃣ Consistência em setores-chave
Crescimento de crédito em segmentos mais rentáveis (cartões, consumo, imobiliário e PMEs) demonstra disciplina estratégica — um sinal de que o banco não está “abrindo mão” de margens apenas para crescer.
3️⃣ Riscos ainda presentes
Embora provisões tenham caído versus o trimestre anterior, indicadores de crédito continuam em foco, especialmente em contextos de juros altos e possíveis pressões macroeconômicas.
4️⃣ Performance de custos
As despesas gerais foram reduzidas na comparação anual, sugerindo eficiência operacional. Isso é crucial porque controle de custos pode compensar pressões sobre receita em ambientes competitivos.
Conclusão
O balanço do Santander Brasil no 4T25 entregou:
🔹 Lucro recorde para o período em 4 anos
🔹 ROAE sólido acima de 17%
🔹 Crescimento de carteira com foco em rentabilidade
🔹 Controle de despesas e captações mais baratas
🔹 Algumas pressões em margem financeira e provisões
👉 No geral, o resultado reforça a capacidade do banco em navegar um ambiente complexo, com disciplina no crescimento de crédito e eficiência de custos. Para quem está estudando bancos, esse tipo de performance mostra a importância de analisar tanto indicadores operacionais (como carteira de crédito e PDD) quanto indicadores de rentabilidade (ROAE e margens) para entender se um banco está crescendo de forma sustentável.