Itaú (ITUB4): Sem Surpresas, Lucro Forte e Maior Rentabilidade desde 2015

O Itaú Unibanco divulgou seus resultados do 4º trimestre de 2025 (4T25), e o balanço trouxe números sólidos, coerentes com o que o mercado vinha esperando — o que, para bancos, muitas vezes é sinal positivo.

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Brayan Souza

2/5/20263 min read

O Itaú Unibanco divulgou seu resultado do 4º trimestre de 2025 (4T25) e, diferente de balanços “barulhentos”, o que chamou atenção aqui foi justamente o contrário: consistência.

Não houve surpresa negativa, não houve número inflado artificialmente e não houve deterioração escondida. O banco entregou lucro forte, rentabilidade elevada e controle operacional, reforçando por que continua sendo referência entre os bancões.

Neste texto, a ideia é:
➡️ traduzir os números,
➡️ explicar o que realmente importa,
➡️ e mostrar o que esse resultado ensina para quem estuda mercado financeiro.

Visão geral do balanço

Antes de entrar linha por linha, vale a leitura rápida do “quadro geral”:

  • Lucro sólido e previsível

  • Rentabilidade (ROE) no maior nível em quase 10 anos

  • Margem financeira estável

  • Custos sob controle

  • Qualidade de crédito preservada

Ou seja: um balanço tecnicamente saudável, sem atalhos.

Lucro líquido recorrente: crescimento com qualidade

O Itaú reportou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 12,3 bilhões no 4T25, com crescimento relevante em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O ponto importante aqui não é só o crescimento

Em bancos, lucro pode subir por vários motivos — e nem todos são bons.
No caso do Itaú, o crescimento veio principalmente de:

  • Margem financeira resiliente

  • Receita de serviços consistente

  • Eficiência operacional

  • Sem aumento relevante de riscos

👉 Isso mostra crescimento estrutural, não pontual.

ROE de 24,4%: por que esse número é tão relevante

O grande destaque do balanço foi a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE):

  • ROE no 4T25: 24,4%

  • Maior nível desde 2015

Traduzindo para quem está começando:

ROE responde a uma pergunta simples:

“Quanto lucro o banco gera para cada R$ 100 de capital dos acionistas?”

Um ROE acima de 20% já é considerado muito forte para bancos grandes.
Chegar perto de 25%, sem alavancagem excessiva, é sinal de:

  • Eficiência operacional

  • Boa precificação de crédito

  • Controle de custos

  • Qualidade na gestão do balanço

👉 Não é à toa que o Itaú costuma negociar com prêmio em relação aos pares.

Margem financeira (NII): estabilidade em um ambiente mais desafiador

A margem financeira líquida com clientes (NII) permaneceu robusta, mesmo com mudanças no cenário macroeconômico.

O que isso indica?
  • O banco conseguiu preservar spreads

  • Não precisou “forçar crédito” para crescer

  • Teve disciplina na concessão

Margem financeira é o coração do banco tradicional.
Se ela se sustenta, o resto do balanço tende a acompanhar.

Esse ponto é especialmente importante para quem estuda análise de bancos: margens estáveis costumam valer mais do que crescimentos agressivos e instáveis.

Receita de serviços: o colchão de estabilidade

Outro ponto positivo foi a performance das receitas de serviços, que incluem:

  • Tarifas bancárias

  • Cartões

  • Administração de recursos

  • Seguros e outros serviços

Por que isso importa tanto?

Receita de serviços:

  • Não depende diretamente do ciclo de juros

  • Tem margem alta

  • Reduz volatilidade do lucro

👉 Bancos com boa base de serviços conseguem atravessar ciclos econômicos ruins com muito menos estresse.

Custos e eficiência: onde o Itaú costuma ganhar o jogo

O Itaú segue entregando disciplina em despesas administrativas, o que mantém o índice de eficiência em níveis saudáveis.

Aqui não tem mágica:

  • Digitalização

  • Escala

  • Processos maduros

  • Cultura de controle de custos

Esse é um diferencial competitivo difícil de copiar — e um dos motivos pelos quais o banco mantém ROE elevado por tanto tempo.

Qualidade do crédito: sem deterioração escondida

Um ponto que sempre merece atenção em balanços bancários é inadimplência e provisões.

No 4T25:

  • Não houve piora relevante nos indicadores de crédito

  • Provisões seguem compatíveis com o risco da carteira

  • Nada indica necessidade de “limpeza pesada” no futuro próximo

👉 Isso reforça que o lucro não está sendo inflado às custas de risco.

Comparação implícita com outros bancões

Sem entrar em ranking explícito, o balanço deixa claro que o Itaú:

  • Opera com rentabilidade superior à média do setor

  • Mantém menor volatilidade de resultados

  • Consegue crescer sem sacrificar qualidade

É exatamente por isso que, em relatórios e análises, o banco costuma ser tratado como benchmark do setor.

O que esse balanço ensina para quem estuda mercado financeiro

Se você está começando em equity research, análise fundamentalista ou banco, esse resultado traz lições importantes:

1. Balanço bom nem sempre é barulhento

Os melhores balanços muitas vezes são os mais “sem surpresa”.

2. ROE é consequência, não causa

ROE alto vem de eficiência, margem, custo e risco bem geridos — não o contrário.

3. Receita diversificada reduz estresse

Serviços + crédito equilibrado tornam o negócio muito mais resiliente.

4. Consistência constrói prêmio de valuation

Empresas previsíveis costumam negociar melhor no longo prazo.

Conclusão

O resultado do Itaú (ITUB4) no 4T25 não trouxe fogos de artifício — e isso é exatamente o elogio.

Lucro forte, ROE no maior nível desde 2015, margens estáveis, custos controlados e crédito saudável mostram um banco que executa bem o básico. Para o investidor e, principalmente, para quem está aprendendo a analisar empresas financeiras, esse balanço é um excelente estudo de caso de qualidade operacional no setor bancário.