Diário de um Bancário #02: A IA Não Vai Te Tirar o Emprego. A Inércia Vai.
A Inteligência Artificial deixou de ser tendência e virou realidade no mercado financeiro. Assim como aconteceu com a chegada da informática nos bancos, quem se adapta cresce; quem ignora, desaparece.
DIÁRIO DE UM BANCÁRIO
Brayan Souza
2/18/20262 min read
A Inteligência Artificial chegou do mesmo jeito que a informática chegou nos bancos lá atrás:
primeiro como curiosidade, depois como ferramenta… e, quando todo mundo percebeu, como requisito.
E toda vez que uma tecnologia desse tamanho entra em cena, o roteiro se repete.
Primeiro vem o desdém.
Depois o medo.
E por fim, a corrida atrasada.
Quando o computador entrou no banco
Teve um tempo — não tão distante assim — em que bancário bom era aquele que dominava papel, cálculo manual e memória.
Planilhas eram físicas.
Relatórios vinham impressos.
Sistemas eram poucos, lentos e acessados por poucos.
Quando os computadores começaram a ocupar espaço nas agências, muita gente torceu o nariz.
“Isso não pega.”
“Isso é moda.”
“Isso é coisa pra TI.”
Não era.
Quem aprendeu a usar os sistemas cresceu.
Quem entendeu os dados virou referência.
Quem se recusou… ficou pra trás.
Não porque era incompetente, mas porque parou no tempo.
A IA é o novo computador
Hoje, a Inteligência Artificial ocupa exatamente esse mesmo lugar histórico.
Ela começou ajudando em tarefas simples:
resumo de textos, organização de dados, automação de rotinas.
Agora, já participa de decisões.
Sugere estratégias.
Identifica padrões que o olho humano não vê.
E não — ela não substitui o bancário.
Ela substitui o bancário que não sabe usá-la.
O que o mercado já entendeu
O mercado financeiro não está perguntando se a IA é boa ou ruim.
Ele está perguntando quem sabe usar.
Instituições querem profissionais que:
tomem decisões melhores com dados
ganhem escala sem perder qualidade
entreguem mais com menos esforço operacional
Isso não é futuro. É presente.
Quem domina IA entrega mais valor.
Quem ignora, vira custo.
O medo que pouca gente assume
Existe um medo silencioso rodando nas mesas, nas agências e nos escritórios:
“E se eu não acompanhar?”
E esse medo é legítimo.
Porque o problema não é a IA chegar.
O problema é ela chegar antes do seu preparo.
Quem não se planejar vai sentir isso primeiro:
na pressão por performance
na comparação com colegas mais produtivos
na perda de espaço em decisões estratégicas
Não é demissão imediata.
É irrelevância progressiva.
Planejamento não é opcional
Assim como aprender informática deixou de ser diferencial e virou obrigação,
aprender a usar Inteligência Artificial vai seguir o mesmo caminho.
Não precisa ser programador.
Não precisa virar especialista técnico.
Mas precisa:
entender o que a ferramenta faz
saber aplicá-la no seu dia a dia
usar IA como alavanca, não como muleta
Quem fizer isso cedo, lidera.
Quem fizer tarde, corre atrás.
Quem não fizer… explica depois.
A grande ilusão
Muita gente ainda acredita que dá pra “esperar um pouco mais”.
Que dá pra ver como o mercado reage.
Essa foi exatamente a ilusão de quem ignorou a informática lá atrás.
O mercado não espera maturidade individual.
Ele avança.
A lição do Diário
A Inteligência Artificial não é ameaça.
É um divisor de águas.
Ela não pergunta há quanto tempo você está no mercado.
Ela não respeita cargo.
Ela não premia esforço — premia adaptação.
Quem entende isso agora constrói vantagem.
Quem ignora, paga o preço depois.
Pra fechar
Quando a IA estiver totalmente integrada ao mercado financeiro,
você vai ser aquele que explica como usar
ou aquele que pergunta como funciona?
Porque, no fim das contas,
a tecnologia não elimina pessoas.
Ela elimina quem parou no tempo.
— Brayan Souza