Copom sinaliza início de corte da Selic em março, mas mantém cautela sobre ritmo e tamanho do ciclo

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central reforça a sinalização de que deve iniciar cortes na taxa Selic já na reunião de março, mas destaca que o ritmo e a magnitude desse ciclo de flexibilização monetária ainda dependem da evolução dos dados econômicos e da ancoragem das expectativas de inflação.

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Brayan Souza

2/3/20262 min read

O que a ata do Copom revelou — e por que isso importa

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mostrou que o colegiado reafirmou a intenção de começar a reduzir a taxa básica de juros (Selic) já em março. Até então, na reunião de janeiro, a Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, em uma postura contracionista clássica para controlar a inflação.

No documento, o Banco Central explica que essa sinalização veio após a análise de um amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e sinais mais claros de transmissão da política monetária para a economia, mesmo considerando as defasagens temporais desse mecanismo.

Do ponto de vista acadêmico, isso significa que o Copom — como órgão responsável por orientar a política monetária no Brasil — está avaliando se o atual nível de juros ainda é contracionista ou se é possível iniciar um processo de flexibilização monetária sem comprometer a convergência da inflação à meta.

📊 Transmissão da política monetária e expectativas em foco

Quando se fala em transmissão da política monetária, refere-se ao mecanismo pelo qual a decisão da autoridade monetária sobre os juros influencia:

  • as condições de crédito na economia;

  • o nível de consumo e investimento das famílias e empresas;

  • as expectativas de inflação e a própria inflação no médio prazo.

O Copom destacou que esses sinais de transmissão estão “mais claros”, o que academicamente indica que as mudanças anteriores na Selic começaram a impactar o comportamento de preços e decisões econômicas, abrindo espaço — em tese — para um ajuste menos restritivo da política monetária.

🧩 Por que ainda não se sabe o tamanho do corte

Apesar de confirmar a intenção de iniciar a redução da Selic em março, a ata deixou em aberto qual será a magnitude e a duração desse ciclo de cortes. Isso ocorre porque a autoridade monetária depende da evolução de:

  • indicadores de inflação e expectativas futuras;

  • comportamento do mercado de trabalho e atividade econômica;

  • risco externo e passagens do câmbio pela economia.

No jargão técnico, a decisão de política monetária continua sendo data-dependente, ou seja, condicionada às próximas leituras dos dados macroeconômicos, com o objetivo de manter a inflação convergindo à meta de 3% ao ano — intervalo cuja tolerância é definida pelo sistema de metas vigente.

🕹️ O que o mercado espera

No mercado financeiro, há hoje duas apostas principais:

  • um corte inicial de 0,25 ponto porcentual (pp) na Selic;

  • ou um corte mais intenso de 0,50 pp, dependendo dos dados de inflação e atividade.

Se confirmado, a taxa Selic poderia cair de 15% para entre 14,50% e 14,75% ao ano já em março — começando um ciclo de afrouxamento monetário que ainda não tem cronograma definido.

🧾 Resumo em termos práticos
  • O Copom manteve a Selic em 15% na última reunião.

  • A ata reforça que o ciclo de corte de juros deve começar em março, sinalizando uma possível transição da política monetária contracionista para uma postura mais neutra ou expansionista moderada.

  • Ainda não há definição sobre o tamanho ou a velocidade desse ciclo: o Copom seguirá avaliando novos dados antes de calibrar a política monetária.