Cooperativas de crédito: o que são, como funcionam e por que podem ser porta de entrada no mercado financeiro

Descrição: Cooperativas de crédito são instituições financeiras que atuam no Sistema Financeiro Nacional oferecendo serviços bancários exclusivamente aos seus associados. Neste artigo, explico como elas funcionam, suas diferenças em relação aos bancos tradicionais e por que esse modelo pode ser um ótimo ponto de partida para quem quer iniciar carreira no mercado financeiro.

CONTEÚDO

Brayan Souza

2/7/20263 min read

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O que é uma cooperativa de crédito, afinal?

Cooperativa de crédito é uma instituição financeira, assim como um banco. Ela está dentro do nível operacional do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e oferece praticamente os mesmos serviços que você encontraria em um banco tradicional: conta corrente, crédito, financiamentos, investimentos, cartões e afins.

A grande diferença está na natureza institucional.

Enquanto bancos são sociedades empresariais com fins lucrativos, as cooperativas são associações de pessoas, criadas com o objetivo de prestar serviços financeiros exclusivamente aos seus associados, também chamados de cooperados.

👉 Ou seja:
para usar uma cooperativa, você precisa ser cooperado.
E, ao se tornar cooperado, você é usuário e dono ao mesmo tempo.

Cooperado: cliente ou dono? Os dois.

Esse ponto é central e costuma cair tanto em prova de concurso quanto em entrevistas.

O cooperado:

  • utiliza os serviços financeiros normalmente;

  • participa das decisões da instituição;

  • tem direito a voto, independentemente do tamanho da sua cota.

Aqui entra um princípio clássico do cooperativismo financeiro:

“uma pessoa, um voto”.

Isso torna a estrutura decisória mais democrática, diferentemente dos bancos, onde o poder é proporcional ao capital investido.

Bancos x Cooperativas: uma comparação econômica simples

Do ponto de vista econômico e institucional, a diferença-chave está no objetivo da instituição:

  • Banco → maximização de lucro

  • Cooperativa de crédito → prestação de serviços aos associados

Na prática, isso afeta diretamente o custo dos produtos financeiros.

Se uma instituição não tem como objetivo primário gerar lucro, ela tende a:

  • cobrar juros menores;

  • oferecer tarifas mais baixas;

  • operar com spreads mais reduzidos.

⚠️ Importante: isso não é absoluto.
Existem produtos bancários competitivos e cooperativas menos eficientes.
Mas, estruturalmente, a tendência econômica favorece as cooperativas.

Sobras: o “lucro” da cooperativa (termo técnico)

Se a cooperativa tem um resultado positivo no exercício, esse resultado não é chamado de lucro, mas sim de sobra.

Academicamente falando:

  • a sobra é o excedente econômico após custos e provisões;

  • ela pode ser distribuída entre os cooperados.

A distribuição não segue o critério de “um cooperado, um valor”, mas sim:

  • proporcional às cotas;

  • proporcional ao volume de operações realizadas pelo cooperado.

📌 Importante para a vida real (e para prova):
Se o cooperado participa das sobras, ele também participa do rateio de prejuízos, caso a cooperativa tenha resultado negativo.

Supervisão e regulação: quem fiscaliza as cooperativas?

Mesmo não sendo bancos, cooperativas de crédito não operam fora do sistema.

Elas são:

  • equiparadas a instituições financeiras, segundo a Lei nº 4.595/1964;

  • autorizadas, reguladas e supervisionadas pelo Banco Central do Brasil.

Dentro da lógica do SFN:

  • Conselhos → nível normativo

  • Banco Central → nível supervisor/fiscalizador

  • Bancos e cooperativas → nível operacional

Ou seja: a cooperativa não fiscaliza, ela é fiscalizada.

Garantias: FGC x FGCoop (cai muito em prova)

Aqui está um ponto clássico de confusão.

Bancos
  • Proteção: Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

  • Limite: até R$ 250 mil por CPF e instituição

Cooperativas de crédito
  • Proteção: FGCoop

  • Finalidade: garantir depósitos e créditos em caso de intervenção ou liquidação

📌 Resumo para memorizar:

FGC → bancos
FGCoop → cooperativas

Cooperativas como porta de entrada no mercado financeiro

Agora vem a parte prática — e subestimada.

Para quem:

  • quer entrar no mercado financeiro;

  • ainda não passou em banco público;

  • está buscando experiência real;

👉 cooperativas de crédito são uma excelente porta de entrada.

Por quê?

  • alta capilaridade (presentes em cidades pequenas e médias);

  • crescimento consistente do setor;

  • demanda recorrente por profissionais.

Exemplos de grandes sistemas cooperativos:

  • Sicredi

  • Sicoob

Muita gente começa ali, ganha experiência, certificação, vivência comercial — e depois migra para bancos maiores ou concursos.