CDI: o que é, como funciona no mercado interbancário e qual a diferença para a Selic (do jeito que cai em prova)

Entenda o que é CDI (Depósito Interbancário), por que ele existe, como é calculado e por que fica tão perto da Selic. Veja a diferença entre CDI e Selic Over, exemplos e como esse assunto aparece em provas bancárias.

CONTEÚDO

Brayan Souza

2/15/20264 min read

Se você está começando no mercado financeiro, tem uma frase que vai aparecer toda hora no seu caminho:

“Esse investimento rende X% do CDI.”

E aí vem a dúvida clássica de iniciante (e clássica de prova também):

  • CDI é a mesma coisa que Selic?

  • Se não é, por que quase sempre dá tão parecido?

  • Quem decide o CDI?

  • E o que isso tem a ver com bancos emprestando entre si?

Neste artigo, você vai entender CDI do zero, com linguagem direta e foco no que realmente cai em Conhecimentos Bancários — principalmente a comparação com Selic Over.

O que é CDI (e por que ele existe)

CDI vem de Certificado de Depósito Interbancário. Ele aparece no mercado interbancário, que é basicamente o “mercado” onde bancos emprestam dinheiro entre si por prazos bem curtos (geralmente um dia útil).

A lógica é simples:

  • No fim do dia, um banco pode terminar com falta de caixa (saldo “apertado”).

  • Outro banco pode terminar com sobra de caixa (dinheiro parado).

  • Só que banco não gosta de dinheiro parado (ele ganha com intermediação).

  • E o Banco Central exige que os bancos fechem o dia com a liquidez organizada (não é “quebra”; é gestão diária de caixa).

Então acontece o empréstimo:

Banco B empresta para Banco A por um dia → e cobra juros → essa taxa é o CDI (na prática, a taxa DI/CDI).

O mais importante aqui:

  • CDI nasce de operações entre bancos

  • com prazo de um dia

  • refletindo o custo do dinheiro no curtíssimo prazo

E por ser uma taxa muito usada, ela virou referência (benchmark) para várias aplicações de renda fixa (principalmente como “termômetro” de rendimento).

Como o CDI é calculado (do jeito que as bancas gostam)

Na prova, a banca não quer que você saiba “a fórmula matemática”. Ela quer que você identifique o mecanismo:

✅ CDI (taxa DI) é apurado a partir das operações interfinanceiras de um dia, e é divulgado com base nessas transações reais.

Em outras palavras:

  • é uma média das taxas praticadas nessas operações diárias

  • medida com base em operações registradas

  • expressa ao ano (padrão de mercado), apesar de vir do “dia a dia”

A diferença mais cobrada: CDI x Selic

Aqui está o ponto que mais derruba gente em prova: as frases são parecidas, mas muda um detalhe que vira o jogo: título privado vs título público.

CDI
  • surge de transações entre bancos

  • geralmente com lastro/estrutura ligada a títulos privados/interfinanceiros

  • referência muito usada para renda fixa e produtos bancários

Selic (Selic Over)
  • surge de operações compromissadas com títulos públicos federais

  • é a taxa média dessas operações de um dia útil

  • e é usada como referência básica da economia brasileira

Se você guardar só uma frase para prova, guarda essa:

Se o enunciado fala “títulos públicos federais + um dia” → é Selic Over.
Se fala “depósitos/empréstimos interbancários + um dia” → é CDI (taxa DI).

Por que CDI e Selic ficam tão próximos?

Essa é outra pegadinha comum: como os dois são “taxas do curtíssimo prazo” e refletem o custo do dinheiro no dia a dia do sistema financeiro, eles tendem a caminhar colados.

Mas atenção: colados não é igual.

  • Selic Over reflete operações com títulos públicos federais

  • CDI reflete operações interbancárias de curtíssimo prazo

O resultado prático é que as taxas costumam ficar bem próximas, e isso explica por que, na vida real, muita gente confunde.

Onde “ficam guardadas” essas operações: Selic x CETIP/B3

Esse ponto aparece em prova de um jeito mais “infraestrutura do mercado”.

  • Títulos públicos federais: negociados/registrados no ambiente do Sistema Selic (infra do Banco Central).

  • Títulos privados e registro de várias operações: historicamente ligados à CETIP, que hoje está integrada à B3 em termos de infraestrutura/registro e dados.

Se a questão puxar “central depositária / custódia / liquidação de títulos privados” e misturar com CDI, a lógica costuma ir para o ecossistema CETIP/B3.

CDI como “percentual do CDI”: como interpretar sem sofrer

No cotidiano do mercado, você vê muito isso:

  • “rende 110% do CDI

  • “rende 90% do CDI

Tradução prática:

  • Se o CDI fosse 10% ao ano (exemplo didático), 110% do CDI = 11% ao ano.

  • 90% do CDI = 9% ao ano.

A sacada é: CDI vira uma régua. Em vez de falar “x% ao ano”, muitas instituições preferem dizer “x% do CDI” porque CDI é um referencial amplamente acompanhado.

(Para prova, o objetivo não é escolher “o melhor”, e sim entender o significado.)

Como isso cai em prova: padrões de enunciado

As bancas normalmente fazem 3 coisas:

1) Confundem quem define o quê
  • CDI não é definido pelo COPOM.

  • Selic Meta é definida pelo COPOM (e Selic Over é a taxa efetiva do dia a dia no Sistema Selic).
    Se aparecer COPOM, você já sabe que está no mundo da Selic Meta, não do CDI.

2) Misturam “títulos públicos” dentro do CDI

Se o enunciado falar “Tesouro Nacional / títulos públicos federais” e disser que isso é CDI, acende o alerta:

  • Tesouro / título público federal → ambiente Selic → taxa Selic (Over)

  • CDI → interbancário → depósitos/DI → apuração B3

3) Jogam um monte de termo pra você se perder

A estratégia para resolver rápido é procurar as palavras-chave:

  • “um dia útil”, “operações compromissadas”, “títulos públicos federais” → Selic Over

  • “mercado interbancário”, “depósitos interfinanceiros”, “entre instituições financeiras” → CDI / taxa DI

Por que isso importa para sua carreira (e não só para a prova)

Entender CDI é um daqueles “marcos” de quem está entrando no mercado financeiro.

Porque a partir daqui você começa a:

  • entender por que renda fixa é comparada com CDI

  • interpretar notícias e relatórios que falam “x% do CDI”

  • perceber que “taxas coladas” não são “taxas iguais”

  • conectar infraestrutura (Selic, B3) com o funcionamento real do sistema

Isso é base para tudo que vem depois: produtos, indexadores, risco, precificação e até conversas do dia a dia em banco.