BBAS3 (Banco do Brasil): Lucro do 4T25 supera expectativas, mas qualidade dos ativos ainda preocupa

No 4T25, BBAS3 surpreende com lucro maior que o esperado, mas aumento da inadimplência e provisões elevadas no agronegócio trazem dúvidas sobre a recuperação sustentável.

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Brayan Souza

2/12/20263 min read

Resumo dos Resultados – O que aconteceu?

O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) com números que chamaram atenção do mercado:

  • Lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, superando estimativas (mercado esperava ~R$ 4,5 bi).

  • Embora seja queda de ~40% em relação ao 4T24, o resultado foi 51% acima do 3T25, mostrando recuperação sequencial.

  • A rentabilidade (ROE) voltou a dois dígitos, em 12,4% no trimestre, mas ainda distante dos níveis de 20% observados há um ano.

Esses números podem sugerir uma melhora operacional, mas o contexto por trás deles é essencial para entender se isso representa uma tendência de alta sustentável ou apenas um alívio momentâneo.

O que impulsionou esse lucro?

Analistas destacaram que grande parte da surpresa positiva veio de efeitos tributários, não necessariamente de uma melhora concreta na qualidade dos negócios.

👉 Ou seja, o lucro foi “ajustado para cima” por fatores contábeis, e não apenas por desempenho forte do banco.

Além disso:

  • Os custos com provisões e perdas de crédito continuaram muito elevados (aproximadamente R$ 18 bilhões).

  • A inadimplência no agronegócio acusa pressão significativa, com NPLs (créditos com atraso acima de 90 dias) crescendo.

  • O crescimento da carteira de crédito foi muito modesto, reforçando um ambiente ainda fraco em novos negócios.

Esses pontos mostram que a recuperação vem de ajustes e itens pontuais, e não de uma dinâmica operacional forte e uniforme.

Análise dos indicadores-chave
1. Lucro versus qualidade de ativos

O lucro veio acima das expectativas porque alguns fatores contábeis ajudaram (ex.: créditos tributários), mas os indicadores de qualidade de crédito (como a inadimplência) não melhoraram.

Isso significa que, apesar do lucro, a saúde do balanço ainda é frágil – especialmente no setor rural, um dos pilares tradicionais de atuação do banco.

2. ROE e rentabilidade

O ROE voltou aos dois dígitos, mas ainda está abaixo dos patamares históricos saudáveis.

Rentabilidades mais baixas sugerem que o retorno que os acionistas estão obtendo pode estar abaixo do custo de capital exigido pelos investidores – um sinal de desempenho que merece atenção.

3. Expectativas para 2026

Apesar dos desafios, o BB revisou suas projeções:

  • O lucro projetado para 2026 está entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, um crescimento em relação a 2025.

Isso indica a gestão acredita em uma recuperação gradual. Porém, a melhora dependerá de controlar o custo do crédito e recuperar mais clientes – algo que ainda não está se refletindo plenamente nos números.

O que os analistas estão dizendo?

✔️ XP Investimentos: vê melhora sequencial, mas destaca provisões e cobertura ainda em níveis preocupantes.
✔️ Morgan Stanley: chamou o trimestre de “fraco”, com lucro operacional abaixo do esperado.
✔️ Goldman Sachs: resultados beiram ou superam expectativas, mas ressalta que o problema de inadimplência não sumiu.
✔️ Itaú BBA: mostrou cautela, com tendências subjacentes fracas no 4T e pouco impulso para 2026.

Em resumo: os bancos e corretoras veem o resultado como melhora moderada e pontual, e não como um ponto de inflexão forte e definitivo.

O que isso significa para quem investe em BBAS3?

👉 Pontos positivos:

  • Lucro acima das expectativas pode aliviar um pouco a pressão sobre o papel.

  • Projeções de crescimento em 2026 podem apoiar narrativa de recuperação gradual.

👉 Pontos de cautela:

  • Qualidade de crédito ainda em deterioração, especialmente no agro.

  • Provisões altas pressionam margem e impactam retorno sobre o patrimônio.

  • Recuperação mais lenta que a de concorrentes privados.

Conclusão: recuperação sim, mas ainda longe de estabilização

O resultado do 4T25 do Banco do Brasil (BBAS3) mostra uma melhora sequencial e um bom choque positivo contra expectativas pessimistas. Mas, sob o capô, os indicadores de risco e qualidade de ativos ainda revelam um quadro desafiador e incompleto.

Para investidores ou interessados em entender o papel, o cenário atual é de recuperação gradual com várias variáveis de risco, principalmente ligadas à inadimplência e ao crescimento do crédito.

📌 Em termos simples: lucro maior que o esperado é positivo, mas a qualidade desse lucro e a saúde dos ativos ainda trazem incertezas sobre um ciclo de alta sustentável das ações.